Demissão arbitrária na Lar Agroindustrial
A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores da Cooperativa Lar em Nova Araçá, no estado do Rio Grande do Sul, Martha Gonçálves, denunciou ter sido demitida poucos dias após formalizar o registro de um novo sindicato e apresentar um atestado médico que comprovava uma lesão na coluna.
Amalia Antúnez
12 | 5 | 2026

A trabalhadora afirmou que, durante mais de quatro anos, exerceu funções como dirigente do antigo sindicato com base em Serafina Corrêa, organização que representava os trabalhadores e trabalhadoras do frigorífico quando este operava sob a marca Agroaraçá.
Segundo relatou À Rel, após a aquisição da unidade pela Lar Agroindustrial, no início de abril, os trabalhadores deixaram de ser representados pela organização anterior.
A nova administração, disse ela, sustentava que o sindicato anterior não tinha competência para representar empregados de cooperativas.
Diante dessa situação, os trabalhadores decidiram impulsionar a criação de uma nova organização sindical no final de abril.
Gonçálves informou que retornou às suas atividades laborais na semana passada e que, pouco depois de comunicar oficialmente a criação do novo sindicato, foi notificada de sua demissão.
Segundo explicou, a empresa apenas informou que “já não precisava mais de seus serviços”, sem oferecer maiores fundamentos formais para a decisão. A trabalhadora destacou ainda que possui estabilidade sindical, embora ainda desconheça se a empresa reconhecerá essa proteção.
Ela também relatou que, desde 2019, enfrenta problemas na coluna decorrentes do trabalho repetitivo no setor de embalagem, onde precisava levantar e transportar caixas de aproximadamente 20 quilos durante toda a jornada de trabalho.
De acordo com seu testemunho, pouco antes da demissão apresentou exames médicos à enfermaria da empresa, notificando que não podia continuar realizando tarefas que implicassem levantar peso.
Os documentos, segundo indicou, seriam encaminhados ao médico da empresa para avaliação. No entanto, no dia seguinte, quando se apresentou para trabalhar, recebeu a notícia de seu desligamento.
A trabalhadora considera que tanto sua atividade sindical quanto seu estado de saúde podem ter influenciado a decisão adotada pela empresa.
O sindicato iniciará ações judiciais com o apoio da Confederação Democrática dos Trabalhadores da Alimentação (CONTAC-CUT) para solicitar a reintegração da sindicalista ao trabalho.

