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Dia Internacional da Mulher

Esta data simboliza a luta histórica das mulheres, para terem suas condições de vida equiparadas às dos homens. Inicialmente, remetia à reivindicação por igualdade salarial, mas hoje simboliza a batalha não apenas contra este tipo de desigualdade, mas também contra o machismo e a violência.

Diminuiu o número de homicídios de mulheres no Brasil em 2019. Foram 3.739 mortes durante todo o ano, redução de 14,1% em relação a 2018.

Devemos comemorar? Ainda não. A mesma estatística da ONG “Fórum Brasileiro de Segurança Pública” aponta, por outro lado, o aumento do número de feminicídios em 2019. Foram 1.314, 7,3% a mais que 2018, e uma média vergonhosa de 1 morte a cada 7 horas.

Feminicídio é o crime capital de ódio, motivado pela condição de gênero. A denominação é recente, adotada pelo governo Dilma Rousseff, e o aumento dos casos de 2019 parece simbolizar as dificuldades para superar as diferenças de gênero, ainda nos dias de hoje.

Em 2019, o brasileiro matou e morreu menos no geral, mas matou mais mulheres por não aceitar separação, para violá-las ou mesmo para manter sua dominação de marido opressor.

O aumento nos casos de feminicídio não é fruto do mero acaso. Estamos diante de um governo federal que tem um Ministério da Família encabeçado por figura como Damares Alves.

Desde que assumiu, Damares coleciona as piores pérolas machistas, e ataques aos diretos das mulheres. A ministra já afirmou que elas deveriam voltar para seus lares, e que a mulher deveria ser submissa ao homem no casamento.

Voltando ao feminicídio, nele o homem descarrega todo sentimento de superioridade forçada, e de posse, sobre o gênero oposto. Mas antes que esta morte aconteça e vire estatística, toda uma relação já teria sido construída com base na dinâmica tóxica. Se o assassinato é o momento final do processo, o cotidiano da desigualdade de gênero ainda guarda muitos problemas.

Maridos que legam toda tarefa do lar a elas, inclusive a do cuidado dos filhos, precisam mudar. Nas empresas, segundo o IBGE, as mulheres recebem salário 20% menor que o dos homens, diferença cruel que aumenta quanto mais se ascendem os cargos – mulheres estudam e se qualificam, mas ainda assim ganham menos que homens na mesma posição. Diferente de um feminicídio? Apenas no grau, não na filosofia.

É preciso uma participação real

Na política, em 2019 tivemos um ano de descoberta de candidatas “laranja”, termo utilizado para o caso das mulheres escolhidas para preencherem a cota da Justiça Eleitoral – 30% da chapa legislativa.

Como se não bastasse isto para entender que mais do que nunca elas precisam ser inseridas “de fato” no jogo político, debateu-se a surreal possibilidade de acabar com esta cota, a fim de resolver o problema das laranjas. Destruir o único mecanismo existente, criado para reverter a perversa lógica machista da política.

Mulheres são maioria na sociedade e são tratadas como minoria. Neste sentido, a exemplo da relação com as outras minorias, reduzir a desigualdade não se faz tarefa apenas das mulheres, cabe lembrar cada vez mais articuladas para este fim. Os homens também devem assumir a causa, pois uma sociedade machista se faz tóxica não apenas para elas, mas para todos.

A constatação é clara – ELAS devem ter as mesmas condições para ocupar o espaço de agentes da mudança. Nas empresas, nas instituições, e principalmente na política. Mulheres devem partilhar cargos de comando em todas as searas, numa revolução que começa de cima para baixo, alterando cada espaço de interação da sociedade.

Mulheres operando políticas públicas, no mercado contratando mulheres e homens pelo mesmo salário e condições. Mais mulheres no comando, dando suporte à mudança social na base.

Apenas se isto ocorrer, poderemos ter uma sociedade com verdadeira igualdade de gênero. Neste dia 8 de Março, não podemos deixar de valorizá-las, e dar nossos parabéns pela sua luta.