A negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na unidade da PepsiCo em Itu, no estado de São Paulo, atravessou semanas de tensão depois que cerca de 300 trabalhadores dos três turnos rejeitaram, em assembleias, a proposta apresentada pela empresa.
Amalia Antúnez
26 | 6 | 2026

A decisão abriu a possibilidade de uma greve e colocou o conflito no centro da agenda sindical.
Marcos Araújo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Campinas e Região (SITAC), explicou que a rejeição ocorreu após serem identificadas profundas desigualdades no sistema utilizado pela multinacional para calcular o benefício.
A PepsiCo havia apresentado uma proposta de pagamento de 330 reais para janeiro de 2027, condicionada ao cumprimento de 100% das metas estabelecidas pela companhia.
O SITAC rejeitou imediatamente a oferta e apresentou uma contraproposta: o pagamento de 1.000 reais, a ser efetuado em dezembro de 2026, sem condicionamentos vinculados a planos ou metas empresariais e estendido a todos os trabalhadores, inclusive àqueles que eventualmente fossem desligados antes do final do ano.
Embora inicialmente tenha recusado a proposta, a empresa acabou aceitando o texto elaborado pelo sindicato.
Em assembleias realizadas nos dias 23 e 24 de junho, os trabalhadores aprovaram por ampla maioria o acordo alcançado, afastando a greve que estava prevista.
Além do benefício econômico, o acordo incluiu outros compromissos importantes. O sindicato anunciou que não voltará a assinar o atual plano de PLR e que, a partir de 2027, a empresa deverá elaborar um novo sistema em conjunto com os trabalhadores e sob acompanhamento sindical.
Araújo destacou especialmente o papel desempenhado pela Rel UITA, cuja intervenção ajudou a dar visibilidade internacional ao conflito.
“Em nível global, a companhia não sente a pressão das fábricas locais porque, muitas vezes, essas informações não chegam à direção internacional da empresa”, afirmou.
Segundo o dirigente, a publicação realizada pela Regional e posteriormente reproduzida pelo sindicato permitiu ampliar a divulgação das reivindicações dos trabalhadores e gerar preocupação dentro da empresa quanto ao impacto que a exposição pública poderia ter sobre sua imagem corporativa.
Para Araújo, a solidariedade internacional contribuiu para destravar as negociações e facilitar a construção de um acordo entre as partes.
“Quantas vezes for necessário, voltaremos a buscar essa solidariedade internacional para fortalecer a luta dos trabalhadores”, concluiu, agradecendo especialmente o apoio do secretário regional da UITA, Gerardo Iglesias, e da equipe responsável pela divulgação do conflito.
O caso voltou a demonstrar a importância da articulação sindical internacional diante de empresas cujas principais decisões são tomadas fora das unidades locais e, muitas vezes, distantes da realidade cotidiana dos trabalhadores.

