Com Paulo Madeira
Diretor da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA/RS), Paulo Madeira defende a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e alerta para os riscos de retrocessos nos direitos trabalhistas caso o resultado eleitoral não seja revertido no segundo turno, em 25 de outubro.
Amalia Antúnez
14 | 10 | 2026

Em entrevista com A Rel, Paulo Madeira, referência incontestável do movimento operário gaúcho e companheiro leal da Rel UITA em todas as horas, afirmou que o resultado das eleições será decisivo para o futuro das relações de trabalho no Brasil.
Entre as principais preocupações estão as propostas para a jornada de trabalho e as mudanças nas formas de remuneração, que podem comprometer direitos e garantias conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras.
“A reeleição do presidente Lula é mais do que importante: é fundamental para fortalecer a defesa dos direitos da classe trabalhadora. Essa disputa precisa ser compreendida também à luz da composição do Congresso Nacional, que, após os resultados do primeiro turno, ficou claramente desfavorável aos trabalhadores”, destacou.
Um dos principais pontos de preocupação é o debate sobre o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador trabalha seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso.
“Enquanto o governo Lula defende a redução da jornada semanal, com dois dias de descanso e sem redução salarial, a alternativa apresentada por Flávio Bolsonaro propõe a remuneração proporcional às horas trabalhadas”, explicou Madeira.
Para o dirigente sindical, essa proposta representa um risco que vai além da discussão sobre a organização da jornada. Segundo ele, a mudança poderá esvaziar o debate sobre a redução do tempo de trabalho e abrir caminho para o enfraquecimento das garantias salariais, dos direitos assegurados por lei e da capacidade de organização coletiva da classe trabalhadora.
Madeira também ressaltou que a reeleição de Lula é fundamental para alterar a correlação de forças no Congresso Nacional, hoje majoritariamente alinhado ao bolsonarismo e a setores políticos que compartilham sua agenda.
Para além das relações de trabalho, o diretor da FTIA/RS relaciona o resultado eleitoral à defesa da democracia brasileira e aos rumos políticos da América Latina.
Na avaliação do dirigente, a disputa ultrapassa os limites de um mandato presidencial e terá consequências para o conjunto da sociedade.
“O país vive um momento decisivo, no qual a participação popular e o resultado das urnas terão consequências que vão além do mandato presidencial”, salientou.
Apesar do cenário adverso e dos desafios colocados pelo resultado do primeiro turno, Madeira mantém o otimismo e aposta na mobilização popular para reverter o quadro eleitoral.
“A virada é possível”, afirmou.

