O sindicato da unidade da Minerva Foods em Durazno convocou uma paralização para esta terça-feira, 27 de outubro, à qual aderiu o sindicato do Frigorífico Canelones (SOOFRICA), que também pertence à mesma transnacional.
Amalia Antúnez
27 | 10 | 2026

O Sindicato de Operários e Operárias Frigoríficos da BPU (SOOF BPU) convocou uma paralização em repúdio ao que denuncia como uma política de perseguição sindical por parte da transnacional brasileira Minerva Foods.
Em um comunicado, o SOOF BPU afirmou que, após o retorno das férias coletivas, intensificaram-se as suspensões arbitrárias, as advertências em massa e as pressões exercidas por chefias intermediárias contra trabalhadores filiados que se organizam e defendem seus direitos.
“A dignidade não se negocia. A liberdade sindical se respeita”, afirma o sindicato, que convocou os trabalhadores a aderir à greve e a permanecer unidos e organizados.
A mobilização ocorre em um contexto de dificuldades trabalhistas nas diferentes unidades da transnacional brasileira no Uruguai. A Minerva opera no país com quatro plantas: BPU, em Durazno; Frigorífico Canelones e Frigorífico Carrasco, no departamento de Canelones; e Pul, em Melo.
Carrasco está sem abate desde novembro de 2025, e seus trabalhadores enfrentam uma prolongada situação de seguro-desemprego, solicitando prorrogações do benefício que, até o momento, ainda não receberam.
Embora a transnacional tenha descartado demissões e negado informações de que transformaria a unidade exclusivamente em uma planta de desossa, a retomada das atividades continua prevista, segundo informações divulgadas em outubro, para janeiro ou fevereiro de 2027.
A adesão do SOOFRICA à greve da BPU representa mais uma demonstração de solidariedade entre trabalhadores de duas unidades do mesmo grupo empresarial, em defesa dos direitos trabalhistas e da liberdade sindical.
O caso da Minerva Foods volta a colocar em pauta uma questão central: qual é o lugar dos direitos trabalhistas e da liberdade sindical na estratégia de uma transnacional que concentra uma parcela significativa da indústria frigorífica uruguaia?
Quando as denúncias de pressões e perseguição sindical se somam à incerteza trabalhista em outras unidades do grupo, torna-se imprescindível exigir respostas e garantias.

