Resolução
Solidariedade ao Suntracs, Sitraibana e ao conjunto do movimento operário panamenho

Entre março e julho do ano passado, eclodiram no Panamá fortes protestos sociais contra a aprovação da Lei 462 (Caixa do Seguro Social), a retomada da exploração minerária e o acordo de entendimento firmado com os Estados Unidos. A resposta do Estado foi imediata e brutal, especialmente contra o movimento operário.

O Sindicato Único de Trabalhadores da Construção e Similares (Suntracs) foi uma das organizações que mais sofreram a represália persecutória do presidente José Raúl Mulino.

Os ataques a essa organização irmã resultaram em mais de 600 detenções, mais de uma centena de militantes processados judicialmente, dezenas de feridos e torturados, 25 mandados de busca em locais sindicais ou residências de dirigentes, cinco dirigentes sindicais com mandados de prisão, três casos de abuso sexual, 15 contas bancárias encerradas e uma ação para dissolver a organização.

Depois de assinar treze convenções coletivas com a Câmara Panamenha da Construção, pela primeira vez as autoridades do Ministério do Trabalho rejeitaram a presença do Suntracs na nova negociação.

“Tudo faz parte de um plano antissindical que também está em curso contra outras organizações. Somos perseguidos porque sempre estivemos ao lado do povo e de suas reivindicações, exigindo o respeito aos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras”, afirmou Yamir Córdoba, secretário-geral do Suntracs, em uma recente entrevista à Rel.

Bocas del Toro, a repressão no setor bananeiro

No ano passado, a Chiquita Panamá anunciou a demissão de cerca de 5 mil trabalhadores de suas plantações em Bocas del Toro, depois que um tribunal trabalhista declarou ilegal a greve por tempo indeterminado iniciada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Bananeira (Sitraibana) contra a reforma da Caixa do Seguro Social (Lei 462).

Passado um ano, a situação na região bananeira é desesperadora. Após a desmedida repressão desencadeada depois do decreto que instituiu um “estado de urgência”, ainda não se conhece o número de mortos e feridos.

Nessas circunstâncias, a Chiquita Panamá assinou com o governo um memorando de entendimento.

Por meio desse acordo, a transnacional brasileira ficará responsável pela supervisão técnica, pelo controle de qualidade, pelo transporte, pela exportação e pela comercialização do produto.

O acordo prevê também a instalação de uma mesa técnica de acompanhamento e terá vigência de dois anos.

Embora pareça auspicioso, a realidade é muito diferente.

 “O Sitraibana foi dizimado. A produção foi retomada a partir de janeiro, mas com base em empregos informais, contratos de apenas três meses, sem estabilidade, sem negociação coletiva e com jornadas de trabalho extenuantes”, afirmou à Rel o ex-secretário-geral do sindicato, Abel Becker.

O Comitê Executivo Latino-Americano manifesta sua solidariedade com ambas as organizações, vítimas da perseguição do governo de José Raúl Mulino.

A Rel UITA também se compromete a dar a mais ampla divulgação internacional e a acompanhar permanentemente as ações que nossas duas organizações irmãs realizarem em defesa de seus direitos e de seus militantes e lideranças perseguidos por um governo extremamente autoritário e repressor.