Rejeição à exploração minerária no Panamá
Em 1997, o governo do Panamá concedeu à empresa Minera Panamá, subsidiária da canadense First Quantum Minerals, uma concessão para a exploração de cobre, ouro, prata e molibdênio na região de Donoso. Vinte anos depois, a Suprema Corte de Justiça declarou o contrato inconstitucional.
Ignorando essa decisão, o governo de Laurentino Cortizo (2019-2024) conseguiu que o Parlamento aprovasse um novo contrato (Lei 406), desencadeando uma ampla mobilização popular sob o lema “Panamá livre da mineração”.
Apesar da violenta repressão, a mobilização cidadã conseguiu que a Suprema Corte emitisse uma nova decisão de inconstitucionalidade contra o projeto Cobre Panamá. Com essa decisão, já são cinco os projetos minerários fracassados no Panamá nas últimas décadas.
A chegada de José Raúl Mulino à presidência, em 2024, marcou uma nova tentativa de aprofundar as atividades extrativistas por meio de estratégias dissimuladas para contornar a decisão da Suprema Corte.
Após contratar uma empresa estrangeira para realizar uma “auditoria integral”, com o objetivo de obter “dados científicos confiáveis”, Mulino pretende reabrir o projeto minerário sob um modelo de parceria público-privada, no qual o Estado manteria entre 35% e 40% da propriedade, enquanto a First Quantum Minerals assumiria o controle técnico-operacional.
O plano tem sido duramente questionado pelo movimento social organizado, que se prepara para voltar às ruas caso o projeto Cobre Panamá tente retomar suas operações.

Em mais de uma ocasião, a Rel UITA deu cobertura à luta contra a mineração no Panamá, denunciando os graves danos ambientais provocados pela atividade, bem como seus impactos sobre comunidades indígenas e camponesas e a corrupção ligada à exploração mineral.
Nesse sentido, o Comitê Executivo Latino-Americano da UITA conclama as autoridades panamenhas a desistirem de promover projetos que somente provocam graves impactos ambientais e humanos, não geram os empregos que seus defensores alegam e comprometem seriamente o futuro de famílias e comunidades.
Além disso, manifesta sua solidariedade e firme apoio à luta do povo panamenho, das organizações ambientalistas e populares e ao seu direito de resistir a projetos que devastam territórios, saqueiam os bens comuns e violam a soberania nacional.
José Antônio Lutzenberger, pioneiro na defesa da ecologia e da agricultura camponesa no Brasil, falecido em 2002, fez há muitos anos uma reflexão que se aplica perfeitamente ao caso em questão.
“A primeira coisa que precisamos conseguir ─ dizia ele ─ é que os governos passem a fazer outro tipo de contas. O Brasil destrói montanhas inteiras para exportar alumínio e ferro. O governo soma as divisas obtidas com a exportação dessa matéria-prima, mas em nenhum lugar de seus balanços desconta o buraco que ficou na montanha, a floresta que foi destruída, o genocídio cometido contra os povos originários, e assim por diante.”
E concluía com uma comparação:
“É como se eu fosse ao banco, tirasse mil dólares, gastasse esse dinheiro e me considerasse mais rico. Estou mais pobre! Nossos países estão ficando cada dia mais pobres!”

