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Minerva Foods no Uruguai

Incerteza, rotatividade e precarização

As situações denunciadas recentemente em diferentes unidades da Minerva Foods no Uruguai voltam a colocar em questão a política trabalhista da multinacional brasileira.

Amalia Antúnez

30 | 7 | 2026

Enquanto cerca de 600 trabalhadores do Frigorífico Carrasco permanecem, desde 30 de junho, sem cobertura do seguro-desemprego e sem conhecer o futuro da unidade, no frigorífico BPU o sindicato denuncia um sistema de contratação que aprofunda a precarização do emprego.

Diante da ausência de uma definição sobre a reabertura, o fechamento definitivo ou a continuidade das atividades em Carrasco, o governo, a pedido da Federação dos Operários da Indústria da Carne e Afins (FOICA), solicitou à Minerva Foods a apresentação de um plano de trabalho que estabeleça com clareza quais serão os próximos passos da empresa.

O objetivo é impedir que a Minerva continue adiando decisões enquanto centenas de famílias permanecem na incerteza e sem renda.

O presidente da FOICA, Martín Cardozo, advertiu que a multinacional deve assumir uma definição sobre o destino do frigorífico e de seus trabalhadores e trabalhadoras, e questionou o fato de o Estado continuar sustentando uma situação de indefinição sem conhecer as reais intenções da empresa.

Uma estratégia empresarial

A esse cenário soma-se a denúncia apresentada pelo Sindicato dos Operários e Operárias do Frigorífico BPU (SOOF BPU), que alertou para uma modalidade de contratação aplicada pela Minerva ao pessoal admitido recentemente.

A empresa contrata trabalhadores por seis meses e, ao término desse período, impõe um segundo contrato por prazo semelhante. Completado um ano, muitos são dispensados, apesar de terem demonstrado capacidade, responsabilidade e de terem recebido a capacitação necessária para desempenhar suas funções.

Para o sindicato, essa prática desvirtua o espírito da legislação trabalhista e do que foi estabelecido nas negociações tripartite (Conselhos de Salário) em relação ao período de experiência, consolidando um esquema de rotatividade permanente que precariza o emprego e mantém os trabalhadores em uma situação de constante incerteza.

Além disso, denuncia que a empresa se beneficia de mão de obra já qualificada para depois substituí-la por novos contratados, reproduzindo o mesmo mecanismo.

Embora se trate de situações diferentes, ambas refletem uma mesma preocupação do movimento sindical: a falta de garantias sobre a continuidade do emprego e a utilização de mecanismos que transferem toda a insegurança para os trabalhadores.

As organizações sindicais reivindicam uma maior intervenção das autoridades governamentais para garantir o cumprimento da legislação vigente e assegurar que o direito ao trabalho decente e à estabilidade no emprego prevaleçam diante das estratégias empresariais de flexibilização e precarização.

Foto: Rel UITA