Com Hugo Galvez
O conflito trabalhista no Frigorífico Tacuarembó, do grupo brasileiro MBRF (Marfrig), permanece sem solução. O sindicato denuncia o descumprimento de acordos, a retirada de direitos, perseguição sindical e tentativas de enfraquecer a organização dos trabalhadores.
Amalia Antúnez
15 | 7 | 2026

Segundo Hugo Galvez, presidente da Associação de Operários e Empregados do Frigorífico Tacuarembó (AOEFRIT), as divergências começaram com a reivindicação pelo pagamento do tempo perdido na produção.
Após suspender medidas sindicais a pedido da empresa, durante um período de visitas oficiais, os trabalhadores não obtiveram avanços nas negociações.
A redução da atividade devido à falta de gado agravou a situação. O sindicato propôs alternativas, como concentrar a produção para permitir o acesso ao seguro-desemprego parcial e antecipar férias, mas ambas foram rejeitadas.
Outro ponto de conflito é o não cumprimento de acordos já negociados e da convenção coletiva. A empresa também se recusa a incorporar automaticamente trabalhadores com mais de dois anos ao chamado "convênio-mãe", que garante benefícios adicionais.
Diante do impasse, os trabalhadores decidiram manter as medidas sindicais, entre elas a recusa em processar gado de confinamento (feedlot). A mobilização recebeu o apoio dos trabalhadores da unidade da MBRF em San José (Inaler), que adotaram a mesma medida em solidariedade.
Além das questões trabalhistas, o sindicato denuncia perseguição aos dirigentes, com descontos de horas sindicais e mudanças unilaterais em acordos sobre atividades de representação.
Também acusa a empresa de incentivar a formação de um "sindicato paralelo" para enfraquecer a representação dos trabalhadores.
Para a AOEFRIT e a FOICA, o conflito ultrapassa as reivindicações salariais e coloca em debate o respeito à negociação coletiva, ao cumprimento dos acordos e à liberdade sindical dentro da empresa..

