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Um 1 de Maio simbólico

Os dois últimos anos foram importantes para a História do país e para os trabalhadores e trabalhadoras, de maneira geral. Foram anos de consolidação de uma política de valorização do salário-mínimo, com a conquista de aumento real em quase 80% das negociações coletivas de trabalho; com recordes na criação de empregos formais; ajustes na legislação trabalhista considerando flexibilidade e proteção de trabalhadores mais vulneráveis; sem esquecer da isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais ─ medida que beneficiou grande parte dos trabalhadores brasileiros.

Artur Bueno Júnior

30 | 4 | 2026

Os avanços não param por aí, já que a política do atual governo federal tem sido de recuperar os estragos promovidos nos desgovernos Temer e Bolsonaro, melhorando a renda média do brasileiro, com redução da informalidade. Além do país ter saído do mapa da fome, houve a melhora da renda das famílias e a queda do desemprego – quando chegamos ao chamado “pleno emprego”.

Aconteceram também avanços pontuais, em categorias específicas. Desde março, por exemplo, novas regras restringem o trabalho em feriados, com exigência de convenção coletiva através do sindicato. Houve a importante atualização da NR-1, com fiscalização efetiva a partir de agora, sobre estabelecimentos que gerem riscos psicossociais, como Burnout, assédios e sobrecargas de trabalho.

Então, sim, o trabalhador tem o que comemorar. Estamos no caminho certo. Mas essa política deve continuar, já que temos desafios importantes adiante.

O próximo passo é a redução da jornada de trabalho sem a redução de salário, colocando fim à nefasta Escala 6×1. Estamos próximos dessa conquista. O trabalhador e a trabalhadora têm direito a um tempo para o lazer, o descanso, a família, o esporte; não é possível continuarmos com essa carga de 44 horas semanais trabalhadas em 6 dias para descanso de apenas um dia na semana no lombo do trabalhador brasileiro.

Indo além, devemos combater a precarização de serviços, como a chamada “uberização”, a precarização de trabalhos, especialmente aqueles criados pelas plataformas digitais; a atenção à Inteligência Artificial e até onde ela prejudica o trabalhador comum; e os avanços tímidos que ainda temos na proteção às mulheres nos ambientes laborais, no que diz respeito ao assédio sexual, moral, às violências de gênero e a falta de respeito.

São muitos os desafios, que passam pela consideração real sobre o papel do trabalhador e da trabalhadora na produção de riqueza do país. Um país que avança e que pode avançar ainda mais.

Foto: CNTA