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Trabalhadores de frigoríficos dos Estados Unidos denunciam o aumento do ritmo de trabalho e recebem apoio do Brasil

O United Food and Commercial Workers (UFCW), um dos maiores sindicatos dos Estados Unidos, está à frente de um movimento de resistência contra a proposta das empresas de acelerar ainda mais o ritmo de produção nos frigoríficos.

ObAgro

25 | 2 | 2026

A entidade alerta que a medida poderá ampliar o número de lesões, agravar problemas de saúde física e mental e ainda provocar a eliminação de postos de trabalho.

No Brasil, entidades sindicais manifestaram solidariedade aos trabalhadores norte-americanos. Josimar Cecchin, presidente da CONTAC-CUT, destaca que a classe trabalhadora, em diversas partes do mundo, vem sofrendo ataques às condições laborais, resultando em adoecimento, perda de direitos e redução da massa salarial.

Artur Bueno, presidente da CNTA, reforça que os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros se somam em apoio à mobilização nos Estados Unidos. Segundo ele, o tema será debatido com a Regional Latino-americana da UITA (Rel UITA), buscando fortalecer um movimento internacional de solidariedade aos trabalhadores do setor frigorífico.

Artur também recorda que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o setor enfrentou a grave ameaça de esvaziamento da NR36 norma que regulamenta a saúde e segurança no trabalho em frigoríficos– a medida só foi barrada graças à resistência organizada por mais de 150 entidades sindicais brasileiras, com apoio da Rel UITA.

Uma longa história de lutas

Vale lembrar que, já em 2001, a Regional publicava alertas sobre as condições de trabalho nas granjas e avícolas inseridas na cadeia produtiva dos frigoríficos nos Estados Unidos, denunciando problemas laborais e de saúde envolvendo empresas como Tyson Foods, Gold Kist, Perdue Farms, Pilgrim's Pride e ConAgra.

A matéria do UFCW também resgata um marco histórico: em 1906, o jornalista Upton Sinclair publicou o livro The Jungle (A Selva), denunciando as péssimas condições de trabalho nos frigoríficos norte-americanos.

Mais de 120 anos depois, a realidade descrita na obra parece exigir uma atualização.


Imagem: Allan Mc Donald’s – Rel UITA