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Sem acordo para o setor arrozeiro

Sindicatos analisam estado de greve

Após três rodadas de negociação, nas quais o setor patronal propõe apenas um reajuste salarial pela inflação e pretende retirar diversos benefícios conquistados em convenções coletivas anteriores, os sindicatos do setor arrozeiro, reunidos na Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA RS), informaram que a greve é iminente.

Amalia Antúnez

23 | 7 | 2026

Em conversa com A Rel, Paulo Madeira, dirigente da FTIA RS que lidera as negociações com as empresas do setor, afirmou que as três reuniões realizadas até o momento não produziram qualquer avanço.

“A única proposta deles é retirar conquistas e conceder um reajuste salarial apenas pelo INPC. Não aceitamos e, desde esta manhã, estamos realizando assembleias nas empresas para deliberar sobre uma possível greve caso o setor patronal não melhore a proposta”, afirmou.

O Rio Grande do Sul é, com ampla vantagem, o principal produtor de arroz do Brasil.

O cultivo está concentrado principalmente na metade sul do Estado e abrange mais de 180 municípios, embora a produção esteja fortemente concentrada em algumas regiões, especialmente na Fronteira Oeste, na Campanha e na Zona Sul.

A cadeia produtiva do arroz não se limita à produção agrícola. O Estado também concentra um forte parque industrial de secagem, armazenamento e beneficiamento do grão.

No Rio Grande do Sul, segundo estimativa de Madeira, o setor emprega mais de 6 mil trabalhadores em cerca de 50 empresas arrozeiras, entre elas a Camil Alimentos, multinacional com operações no Uruguai, Peru, Chile e Equador.

“A proposta é claramente insuficiente e os sindicatos estão mobilizando suas bases. Hoje começamos as assembleias em Itaqui e, em breve, elas serão estendidas para o restante da região, onde certamente será votado o estado de greve”, concluiu.

Fotos: FTIA RS