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Sindicatos pressionam pelo fim da escala 6×1 em audiência pública no Paraná

Rumo à redução da jornada de trabalho

O debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil se intensificou nos últimos anos e voltou a ocupar o centro da agenda política e sindical.

Amalia Antúnez

13 | 3 | 2026

Atualmente, a legislação nacional estabelece um máximo de 44 horas semanais de trabalho, geralmente distribuídas em oito horas diárias de segunda a sexta-feira e quatro horas aos sábados.

Diversos projetos no Congresso e propostas impulsionadas pelo movimento sindical e pelo governo Lula buscam modificar esse esquema e avançar para jornadas mais curtas sem redução salarial.

Entre as principais propostas, destacam-se: a redução de 44 para 40 horas semanais com manutenção do salário e o fim da escala 6×1, um esquema comum que implica seis dias de trabalho por um de descanso.

Pressão sindical no Legislativo

As organizações sindicais afiliadas à Rel UITA no Brasil mantêm participação ativa no debate e pressionam pela aprovação do fim da escala 6×1.

Além de mobilizações e campanhas nacionais, as organizações intensificaram sua ação política por meio de audiências públicas em legislativos estaduais e no Congresso, com o objetivo de influenciar a discussão parlamentar.

Nesse contexto, na última terça-feira, 10, foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), convocada, entre outros, por sindicatos do setor de alimentação do estado, juntamente com deputados e deputadas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

O secretário regional da UITA, Gerardo Iglesias, participou da audiência e afirmou que o fim do regime 6×1 é uma medida urgente e necessária, especialmente diante das condições enfrentadas pelos trabalhadores e trabalhadoras do setor frigorífico.

“A indústria frigorífica do Brasil é a maior fornecedora de proteína animal do planeta e também é o setor que registra mais doenças ocupacionais. Reduzir a jornada é fundamental para proteger a saúde e garantir melhores condições de trabalho em um setor que massacra trabalhadores e trabalhadoras”, ressaltou.

Também participaram Ernane Ferreira, presidente da Federação dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação e Afins do Estado do Paraná; Artur Bueno de Camargo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação; e Josimar Cecchin, da Confederação Brasileira Democrática de Trabalhadores da Alimentação da CUT (CONTAC).

A audiência contou ainda com a participação de dirigentes de centrais sindicais brasileiras e auditores do Ministério Público do Trabalho, que analisaram o impacto do regime 6×1 na saúde e nas condições de trabalho.

Fotos: CONTAC e Gerardo Iglesias