O CLAMU inicia suas atividades e prepara ações para o 8M
Com uma participação expressiva, o Comitê Latino-Americano de Mulheres da UITA (CLAMU) deu início, na quinta-feira (5), às suas atividades de 2026.
Amalia Antúnez
6 | 3 | 2026

Trabalhadoras, trabalhadores e dirigentes sindicais do Brasil, Argentina, Panamá, Peru, Uruguai, Nicarágua, Guatemala e Honduras participaram de um encontro virtual no qual analisaram estratégias em vista do próximo Dia Internacional da Mulher e da campanha regional “Março Trabalhadoras em Movimento”, promovida pelo CLAMU desde 2021 e que reivindica a origem operária do 8M.
A iniciativa busca dar visibilidade às diversas problemáticas que as mulheres trabalhadoras enfrentam na região, assim como sensibilizar sobre o flagelo da violência de gênero e sua expressão mais extrema: o feminicídio.
Da mesma forma, o espaço permitiu debater e fortalecer estratégias de prevenção e de ação sindical diante dessas situações.
Por outro lado, analisou-se o enorme retrocesso que representa a reforma trabalhista recentemente aprovada pelo governo de Javier Milei na Argentina, e como fortalecer a campanha de solidariedade com o movimento operário argentino impulsionada pela Rel UITA. No caso do Brasil, torna-se indispensável incluir no radar do CLAMU e de suas ações a reeleição do presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva.
Durante a reunião, os participantes coincidiram na importância de seguir articulando esforços em nível regional para promover a igualdade, defender os direitos trabalhistas das mulheres e enfrentar as diferentes formas de violência que afetam suas vidas e seu trabalho.
Também foi alertado o preocupante crescimento dos discursos de ódio contra as mulheres e as dissidências em distintos países, muitas vezes amplificados a partir de espaços políticos, midiáticos e das redes sociais.
Esse clima de intolerância e retrocesso em direitos ocorre em um contexto de persistente violência de gênero.
Segundo dados do Observatório de Igualdade de Gênero da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em 2024 pelo menos 3.828 mulheres foram vítimas de feminicídio na América Latina e no Caribe, o que equivale a ao menos 11 assassinatos por dia.
Nos últimos cinco anos, a região acumula mais de 19.000 feminicídios, um número alarmante que evidencia a urgência de fortalecer políticas de prevenção, proteção e justiça, assim como o papel-chave da organização sindical e dos movimentos de mulheres para enfrentar a violência e defender os direitos conquistados.

