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MBRF entrou com um interdito proibitório contra as manifestações em Ponta Grossa

Sem avanços na negociação de um novo acordo coletivo desde outubro passado, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Massas, Biscoitos, Carnes, Avícolas e Alimentação de Ponta Grossa e Região, que representa os operários do frigorífico da transnacional MBRF nessa localidade, declarou-se em conflito em meados deste mês.

Amalia Antúnez

27 | 1 | 2026

As medidas sindicais incluem manifestações em frente da fábrica da MBRF em Ponta Grossa, com faixas e cartazes que denunciam a atuação da empresa e exigem a abertura de uma negociação real.

A gigante do setor das carnes se recusa a conceder um aumento salarial real a seus trabalhadores e trabalhadoras e oferece, em seu lugar, um aumento irrisório no vale-alimentação.

Além disso, o sindicato denuncia uma série de irregularidades nas condições de trabalho, entre elas o descumprimento das pausas obrigatórias durante a jornada previstas pela NR-36, a precarização do plano de saúde e a existência de operários com mais de 20 ou 30 anos de antiguidade com salários defasados.

Nesta segunda-feira, dia 26, após uma semana de protestos, a MBRF optou por judicializar o conflito em vez de convocar o diálogo, apresentando uma ação contra os manifestantes por meio de um interdito proibitório, figura processual destinada a prevenir uma suposta perturbação ou ameaça à posse ou a um direito.

As manifestações, cabe esclarecer, são realizadas nas imediações do frigorífico.

Luis Pereira dos Santos, presidente do sindicato, afirmou à Rel que, se a empresa considera esse espaço como de sua propriedade, “terá que se responsabilizar por tudo o que possa acontecer ali com os trabalhadores e trabalhadoras”.

“Por enquanto, e até que a Justiça reveja essa proibição, transferimos os protestos para o centro da cidade de Ponta Grossa”, informou o dirigente.

O sindicato advertiu que as medidas de luta continuarão enquanto a empresa mantiver sua postura intransigente e reivindicou a intervenção das autoridades trabalhistas para garantir o direito de protesto e destravar uma negociação que permita melhorar as condições salariais e de trabalho dos trabalhadores do setor.


Fotos: Sindicato Ponta Grossa