Greve aprovada em Carambeí
As condições de trabalho e os salários, na maior produtora de proteína animal do mundo, são impostos à força, sem considerar as reivindicações de seus próprios operários, como se o diálogo social fosse um obstáculo e não uma obrigação.
Amalia Antúnez
22 | 1 | 2026

Essa postura da JBS levou os trabalhadores e trabalhadoras de sua unidade produtiva em Carambeí, no Paraná, a aprovarem a greve no último dia 19 de janeiro, após não haver acordo para a assinatura de um novo acordo coletivo.
Para quem conhece a trajetória da companhia, essa cena não é nova. É apenas mais um capítulo de um longo prontuário empresarial.
Vazamentos de amônia que colocaram em risco a vida de operários; denúncias de condições de trabalho degradantes em plantas do Brasil e de outros países; investigações que vinculam a empresa a trabalho em condições análogas à escravidão em sua cadeia de fornecedores; compra de gado proveniente de áreas desmatadas da Amazônia...
Recentemente, a empresa ganhou destaque por investimentos milionários em carne de laboratório, apresentados como inovação sustentável. Em paralelo, persistem práticas de precarização e desprezo pelo meio ambiente e pela classe trabalhadora.
O que está em disputa é, sobretudo, o reconhecimento de que por trás de cada tonelada de carne exportada existem mãos, corpos e vidas que não podem continuar sendo tratados como peças descartáveis de uma engrenagem global.
A JBS busca projetar uma imagem de liderança moderna e socialmente responsável diante dos mercados internacionais.
Mas em seus frigoríficos, onde o frio penetra os ossos e a nória não para, persiste uma realidade de exploração normalizada: uma empresa que sustenta sua competitividade sobre salários precários e condições de trabalho degradadas.
O conflito em Carambeí não é um fato isolado. É a expressão local de uma disputa mais ampla: a luta para romper um modelo que gera lucros para poucos em detrimento do sofrimento da maioria.
E desta vez, os trabalhadores decidiram se fazer ouvir.

