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Governo americano investiga frigoríficos e empresas brasileiras de cartel e “lobby da carne”

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) abriu uma investigação para apurar possíveis violações às regras de concorrência na indústria de processamento de carne. O anúncio foi feito pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, em meio à crescente preocupação com a alta dos preços no setor. A informação foi publicada no portal Revista Oeste.

CONTAC

7 | 5 | 2026

A apuração envolve gigantes do mercado global, como JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef, além da MBRF Global Foods Company, formada por Marfrig e BRF. Essas empresas concentram uma fatia significativa do processamento de carne bovina nos Estados Unidos.

A investigação ocorre em um momento de pressão inflacionária sobre os alimentos. Dados do Federal Reserve Economic Data indicam que o preço da carne moída atingiu US$ 6,759 por quilo em janeiro, representando uma alta de 18% em relação ao ano anterior. Entre os fatores apontados estão a redução do rebanho bovino no país e possíveis distorções competitivas no mercado.

Durante coletiva, o conselheiro de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, destacou a forte presença de empresas brasileiras no setor. De acordo com ele, metade das quatro maiores companhias da indústria de carne nos EUA tem origem no Brasil, o que reforça a relevância internacional dessas corporações.

Para o presidente da CONTAC-CUT, Josimar Cecchin, o que está acontecendo é um avanço do mercado brasileiro de proteínas no solo americano, ampliando a concorrência com as empresas dos Estados Unidos.

“Diante desse cenário, os EUA, em defesa de sua soberania econômica e de seu mercado interno, acabam criando constantemente mecanismos de controle comercial e barreiras que impactam diretamente o crescimento do setor brasileiro, prejudicando investimentos, exportações e a geração de empregos no Brasil”, afirmou.

A investigação pode ter efeitos significativos tanto no mercado interno norte-americano quanto no comércio global de carnes, incluindo impactos diretos para o Brasil, um dos principais exportadores mundiais do produto.

Foto: CONTAC