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Carlos Amorim se foi...

No meu celular, o sinal sonoro de mensagem indicou que chegou mais uma notícia no WhatsApp, dentre tantas. Olhei, e vi que foi do meu amigo Gerardo Iglesias, companheiro de lutas de tantas décadas.

Roberto Ruiz

9 | 7 | 2026

Logo fui ver o que me escrevia Gerardo. Seria mais um projeto a ser desenvolvido em nossa América Latina? Mais um novo sonho? Mais uma nova ditadura no continente que perseguia dirigentes sindicais e precisávamos então organizar uma mobilização para retirar um companheiro de seu país, para que não fosse preso ou assassinado?
Não, desta vez a mensagem era outra: Carlos Amorín morreu...

Chocado e triste, me veio a memória tantas lembranças daquele homem imenso, de cerca de dois metros de altura e mais de 100 quilos, que aparentemente podia assustar a uma primeira vista de quem não o conhecia, mas que na realidade, será difícil lembrar de alguém de tamanha doçura e amor ao próximo como Carlos Amorín...

E foram tantas as lembranças, que vou resumir em uma só: jornalista muito solidário, ele escreveu um livro chamado “Massacre Silencioso”, sobre o sofrimento das portadoras de LER/DORT da Nestlé.

Mesmo eu que sou médico e especialista na área, me surpreendi com a qualidade técnica de Carlos ao escrever aquele livro, muito bem ancorado do ponto de vista técnico-científico, mas muito mais do que isso: foi uma obra literária da mais alta sensibilidade ao descrever o sofrimento das pessoas, aproveitando a oportunidade para fazer alguma terapia para as lesionadas, ne medida em que dava voz a elas, além de conseguir traduzir para o papel a necessidade de nos indignarmos todos contra as injustiças.

Por tudo isso, a palavra é uma só: Carlos Amorín, vive em nossos corações!

Foto: Carlos Amorín (arquivo pessoal)