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“A situação é grave”

Em muitas cidades, os frigoríficos se tornaram o foco de infecção por COVID 19. Essa situação está sendo monitorada pelas organizações sindicais que, além disso, oferecem assessoria a milhares de trabalhadores e trabalhadoras do setor.
Paulo Madeira dos Santos | Foto: Gerardo Iglesias

Sobre o assunto, A Rel conversou com Paulo Madeira dos Santos, presidente da Federação dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA-RS), que nucleia os sindicatos representativos do setor.

«Temos várias unidades com casos confirmados de COVID 19 e pelo menos dois frigoríficos de grande porte em nosso estado foram fechados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT)», diz Paulo.

Segundo o dirigente, tanto a unidade da JBS no município de Passo Fundo quanto a da BRF em Lajeado foram suspensas pelo MPT e, com isso, foram afetados cerca de 5.600 trabalhadores e trabalhadoras.

«Também temos casos confirmados no grupo Minuano. Lá, a medida tomada pelo MPT foi a de reduzir a produção em 50% para atender à distância cautelar. No grupo avícola Nicolini, há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que forçou uma redução de 75% na produção.»

Incertezas

Consultado sobre as garantias salariais dos trabalhadores e das trabalhadoras das unidades fechadas, Paulo disse que a FTIA vai assessorar e apoiar os sindicatos nas negociações com as empresas.

«No momento não há nada que nos indique que todos esses companheiros tenham seus salários garantidos. Devemos negociar, sempre apelando para a boa vontade das empresas, porém firmes na defesa dos direitos trabalhistas.»

“É provável que a MP 936 seja aplicada, garantindo o pagamento de até 70 por cento dos salários para os trabalhadores e trabalhadoras no seguro-desemprego, mas a realidade é que até agora não temos uma visão clara de como a atividade continuará, especialmente se os casos de infectados por COVID 19 crescerem exponencialmente», finalizou.