A região em estado de vulnerabilidade
Gerardo Iglesias e Carlos Amorín
3 | 1 | 2026

A invasão da Venezuela por militares dos Estados Unidos na madrugada de sábado, 3 de janeiro, cruzou a linha imaginária da soberania na América do Sul.
Embora a América Central e o Caribe tenham sido cenários de numerosas invasões diretas, a América do Sul havia sofrido o “intervencionismo” ianque, mas nunca a “invasão direta”.
Não é momento de balanços históricos, nem de polêmicas estéreis sobre o que é democracia e o que não é. Agora é momento de se alinhar em defesa da soberania e da autodeterminação dos povos, na condenação mais frontal e enfática da velha e conhecida violência imperial.
A madrugada deste 3 de janeiro marcou um antes e um depois em nossa história regional: enquanto Caracas tremia com explosões e aviões sobrevoavam a cidade, o governo venezuelano denunciou uma agressão militar brutal dos Estados Unidos contra seu território e sua população, qualificando-a como violação flagrante da Carta das Nações Unidas e uma ameaça direta à paz na América Latina e no Caribe.
Não se trata de uma “operação cirúrgica”, mas de uma invasão que atropela a soberania de um povo. Ataques a bases civis e militares, bombardeios em diversos estados do país e a captura do presidente Nicolás Maduro por forças estrangeiras são fatos que extrapolam qualquer desculpa de “segurança” ou “luta contra o narcotráfico”.
Agora fica totalmente claro onde está e quem exerce a verdadeira tirania. Os “ditadores” do mundo sentam-se no Salão Oval da Casa Branca, nos arranha-céus corporativos de Nova York, no complexo militar-industrial. Todos estão nos Estados Unidos.
O propósito de Donald Trump não é acabar com o narcotráfico, mas saquear pela força todo o petróleo e a riqueza que o império e seu conjunto de transnacionais extrativistas determinarem que lhes pertencem.
Da Secretaria Regional da UITA declaramos nossa total solidariedade e compromisso com o povo venezuelano.

