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Amônia: quando os acidentes revelam onde estão os riscos

Allan de Campos Silva, pesquisador do Observatório de Saúde, Trabalho e Ambiente no Agronegócio (OBAgro), iniciativa criada juntamente com o geógrafo Fernando Heck e o médico do trabalho Roberto Ruiz, responsável pelo Departamento de Saúde da Rel UITA, participou de uma formação promovida pela Escola do Ministério Público da União (ESMPU).

Gerardo Iglesias

21 | 9 | 2026

Em entrevista à Rel, Campos explicou os objetivos da atividade, realizada no dia 25 de agosto, voltada a integrantes do Ministério Público da União (MPU) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

A formação buscou oferecer ferramentas para que procuradores possam reconhecer, durante inspeções em plantas industriais, condições capazes de favorecer novos acidentes envolvendo vazamentos de amônia.

Esses acidentes, especialmente nas plantas frigoríficas, não podem ser compreendidos como episódios isolados.

“Quando os casos são analisados em conjunto, considerando sua distribuição no tempo, no território, os tipos de instalações envolvidas e as circunstâncias em que ocorreram, começam a aparecer padrões que ajudam a compreender como esses riscos são produzidos e como podem ser prevenidos”, explica Campos.

É justamente a identificação desses padrões que permite deslocar o olhar do acidente já ocorrido para as condições que podem produzir o próximo.

Do acidente à prevenção

Cada vazamento tem sua própria história: trabalhadores expostos, equipamentos envolvidos, falhas nos sistemas, problemas de manutenção, condições de trabalho e consequências que podem atingir não apenas os empregados diretamente envolvidos, mas também outras pessoas e o entorno da planta.

Quando cada ocorrência é analisada separadamente, entretanto, parte importante do problema pode permanecer invisível.

Ao colocar os acidentes em série, é possível perguntar o que se repete, onde se repete e em quais condições esses episódios acontecem. A análise conjunta transforma a experiência acumulada em uma ferramenta para a prevenção.

“O acidente que já aconteceu pode nos ensinar a reconhecer o acidente que ainda não aconteceu”, resume a ideia que orientou a formação.

O objetivo, segundo Campos, é oferecer aos procuradores instrumentos que permitam reconhecer sinais de alerta durante as visitas às plantas que utilizam amônia e identificar situações que mereçam uma investigação mais aprofundada.

Foto: Gerardo Iglesias