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Aurelio González

Memória viva

Na noite de ontem, com o auditório lotado na sede do PIT-CNT, foi apresentado "O fotógrafo que escondeu e salvou a história", documentário em homenagem a Aurelio González, realizado pelos brasileiros Milton Cougo, Itamar Aguiar, Marco Antonio Villalobos e Zé Carlos de Andrade.

Amalia Antúnez

22 | 7 | 2026


Itamar Aguiar, Aurelio González, Marco Villalobos e Milton Cougo

Tive o privilégio de contribuir na tradução e legendagem desta obra que, em pouco mais de 30 minutos, resgata a vida e o legado de um dos grandes testemunhos da história recente do Uruguai.

Aos quase 95 anos, Aurelio González continua sendo muito mais do que um fotógrafo. Suas imagens documentaram e eternizaram o golpe de Estado de 1973 e os 15 dias de greve geral que marcaram a resistência popular à ditadura.

Mas, além de preservar aqueles instantes irrepetíveis com sua câmera, Aurelio tornou-se uma memória viva, um narrador incansável de uma época que não pode nem deve ser esquecida.

O documentário consegue se aproximar dessa dimensão humana com um olhar sensível, respeitoso e profundamente comovente, lembrando-nos de que, por trás de cada fotografia, há uma história, uma decisão e um compromisso com a verdade.

Ao final da exibição, o longo aplauso do público também foi um reconhecimento aos realizadores brasileiros.

Muitos dos presentes agradeceram por terem oferecido um olhar renovado e, ao mesmo tempo, profundamente sensível sobre uma história que pertence ao patrimônio da memória coletiva uruguaia e também da América Latina.

Como disse Marquinho Villalobos: "Pessoas como Aurelio também são nossas, porque, no fim das contas, são elas que caminham do lado certo da história."

Esse reconhecimento espontâneo confirmou que o documentário conseguiu emocionar o público e abrir novas formas de reafirmar a importância da memória.

Homenagear Aurelio em vida é um privilégio e também um ato de justiça para com alguém que fez do jornalismo uma ferramenta de defesa da memória, dos direitos dos cidadãos, da verdade e da democracia.

Saúde, querido galego!* E meu infinito agradecimento aos meus amigos brasileiros, que mais uma vez me convidaram para fazer parte de uma obra tão necessária quanto emocionante.

Fotos: Itamar Aguiar, Milton Cougo e Gerardo Iglesias