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Minerva mantém frigorífico fechado no Uruguai e deixa centenas de trabalhadores sem perspectiva

“Neste momento, nossa principal preocupação é a prorrogação do seguro-desemprego, que vence em 1º de julho”, disse À Rel Martín Cardozo, presidente da Federação Operária da Indústria da Carne (FOICA).

Amalia Antúnez

1 | 7 | 2026

Cerca de 700 trabalhadores e trabalhadoras do Frigorífico Carrasco, uma das unidades pertencentes à multinacional brasileira Minerva Foods, estão em seguro-desemprego desde novembro do ano passado, e o benefício venceu ontem 30 de junho.

Cardozo, que também trabalha no Frigorífico Carrasco, confirmou que, em uma audiência recente no Ministério do Trabalho, a Minerva informou que não haverá retomada das atividades antes do próximo ano.

“A empresa afirma que quer retomar as atividades e não demitir ninguém, mas também não nos dá nenhuma informação concreta. A única certeza é que, neste ano, não teremos trabalho”, resumiu.

Segundo o dirigente, os argumentos apresentados pela Minerva para não reabrir a unidade são o alto preço do gado para abate e divergências em relação ao acordo coletivo.

“Não acredito que o acordo coletivo seja a principal causa para a empresa manter o frigorífico fechado durante um ano. Pode ser um fator, mas não o decisivo”, afirmou.

Nesse sentido, o dirigente destacou algo que a FOICA denuncia há anos: uma estratégia deliberada da empresa de utilizar o seguro-desemprego como ferramenta para reduzir custos.

“Eles já fizeram isso em Canelones, na BPU e em outros frigoríficos. É um mecanismo de chantagem: empurrar o trabalhador para o seguro-desemprego, continuam abatendo animais em suas outras plantas para cumprir seus compromissos comerciais e, depois, propõe redução de pessoal e corte de salários em troca da manutenção das atividades na unidade fechada”, afirmou.

Nas costas dos trabalhadores

Durante os meses de paralisação, a empresa deixa de pagar contribuições à previdência social, salários e, caso a paralisação se estenda para o ano seguinte, também evita o pagamento das férias. “Tudo isso multiplicado por 650 trabalhadores representa um lucro enorme”, destacou Cardozo.

A Minerva Foods opera no Uruguai por meio de quatro plantas: Frigorífico Carrasco e Frigorífico Canelones, em Canelones; Breeders & Packers Uruguay (BPU), em Durazno;; e PUL, em Melo.

Nesta semana está prevista uma reunião entre a FOICA e o Ministério do Trabalho, e autoridades da pasta também deverão se reunir com representantes da empresa.

Um quinto do mercado

“Daqui a 15 dias também temos uma reunião marcada com a empresa. Em relação ao acordo coletivo, tanto o sindicato quanto a Federação sempre demonstraram disposição para o diálogo. No entanto, por parte da Minerva, nada está claro”, concluiu.

Segundo dados do Instituto Nacional de Carne (INAC), no acumulado deste ano a Minerva abateu 208.136 bovinos em suas três plantas em atividade (Canelones, BPU e PUL), respondendo por 21,5% do total do mercado uruguaio.

A empresa é superada apenas pela MBFR, que detém 27,6% de participação, com 266.633 animais abatidos. O terceiro lugar no ranking de abates é ocupado pela família Urgal (Pando e San Jacinto), com 165.378 bovinos processados, o equivalente a 17,1% do total.

Foto: Reprodução