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O Ministro Luiz Marinho na mira

Pressões indevidas para proteger grandes corporações

O Ministério do Trabalho do Brasil está sendo acusado de interferir para remover grandes corporações de uma lista de empresas que violam os direitos trabalhistas.

Daniel Gatti

17 | 4 | 2026

A lista inclui a JBS Aves, subsidiária do Grupo JBS, a construtora LCM e a montadora de veículos BYD, entre outras.

Um secretário de inspeção do trabalho, Luís Felipe Brandão de Mello, foi demitido esta semana por desobedecer a uma ordem do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para retirar a BYD da lista suja a fim de proteger seus investimentos.

Decisões como essa —segundo a Associação Nacional de Inspetores do Trabalho do Brasil (Anafitra)— representam “interferência política inaceitável nas inspeções do trabalho”.

Em 2024, foi revelado que 163 trabalhadores chineses estavam sendo explorados por uma empreiteira da BYD para construir a “fábrica principal” da multinacional chinesa no Brasil, conforme noticiado pela Reuters.

O Brasil é o maior mercado da empresa na América Latina, e seus executivos se vangloriam de seus laços com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em outubro passado, Lula compareceu à inauguração da fábrica, apesar das denúncias já divulgadas contra a empresa.

O Instituto Trabalho Digno acredita que, com políticas intervencionistas e pró-empregador como essas, o Ministro Marinho, ex-presidente da Central Sindical dos Trabalhadores (CUT), está "manchando sua reputação" e comprometendo a luta contra os abusos trabalhistas, especialmente contra o trabalho em condições análogas à escravidão.

“Não destrua uma política pública comprovadamente eficaz (...), não se envolva em atos que nem mesmo seus antecessores mais infames tiveram a coragem de admitir”, pediu a associação ao ministro.

Imagem: Allan McDonald’s - Rel UITA