Com Roberto Luna
No dia 31 de janeiro, o Comitê de Empresa da Nestlé Equador realizou sua assembleia, da qual participaram mais de 85% dos filiados. Entre os temas abordados, destacam-se a situação de higiene e segurança no trabalho, a distribuição de lucros e a antiguidade de trabalhadores terceirizados.
Giorgio Trucchi
5 | 2 | 2026

A situação da segurança laboral na planta da Nestlé em Guayaquil atingiu níveis muito preocupantes, assegura À Rel Roberto Luna, secretário-geral do Comitê de Empresa Nacional dos Trabalhadores da Nestlé Equador S.A.
“Nos últimos anos denunciamos vários acidentes que causaram tanto danos físicos quanto materiais. Em 2023, por exemplo, a queda de um braço levantador de sacos quase esmagou um companheiro”, lembra Luna.
A grave situação foi denunciada no âmbito do comitê operário-patronal, onde os representantes dos trabalhadores responsabilizaram o coordenador de segurança, higiene e meio ambiente, Jonathan Cruz.
“Apontamos os acidentes e a falta de segurança, mas ele nunca nos deu atenção. Tampouco a empresa cumpriu o que foi acordado no comitê operário-patronal e no comitê paritário. As falhas apontadas jamais foram corrigidas”, afirma o dirigente sindical.
Em novembro do ano passado, a situação piorou rapidamente.
“Em 15 dias tivemos três acidentes, um deles muito grave, no qual um companheiro perdeu quatro dedos. Só então a empresa reagiu e começou a adotar medidas para cumprir as normas”, declara Luna.
“Deveriam ter feito isso muito antes, e o coordenador de segurança deveria ter tomado a iniciativa, como pedimos reiteradas vezes. Agora é tarde”, afirma
Por esse motivo, a assembleia do Comitê de Empresa solicitou a remoção de Cruz e sua transferência para outra fábrica.
Outro ponto abordado na assembleia foi a distribuição de lucros referente ao exercício fiscal de 2025.
Nesse sentido, foi solicitada à empresa a entrega da documentação necessária, a fim de evitar situações como a ocorrida no ano passado, quando fomos surpreendidos com o pagamento de menos de 100 dólares a cada trabalhador e 28 dólares por cada dependente familiar.
Também foi discutido o resgate dos anos de antiguidade de cerca de 80 trabalhadores que atuaram em empresas terceirizadas que prestavam serviços à Nestlé e que, posteriormente, foram contratados diretamente pela multinacional suíça.
“A Nestlé nunca quis reconhecer esses anos em que trabalharam como terceirizados para a companhia. Isso afeta sua antiguidade. Caso não cheguemos a um acordo, recorreremos aos tribunais”, concluiu Luna.

