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Com Juan Sierra

Nestlé viola a privacidade dos trabalhadores

No último dia 20 de janeiro, o Sindicato dos Trabalhadores da Nestlé Dominicana – Fábrica de San Cristóbal (Sitranestlesc) enviou uma carta à gerente-geral Angela Domínguez solicitando a desinstalação imediata de dezenas de câmeras de segurança instaladas unilateralmente pela empresa.

Giorgio Trucchi

28 | 1 | 2026

Historicamente, a Nestlé tem monitorado as instalações de sua atividade produtiva por meio de câmeras localizadas nos pontos de acesso à fábrica. Agora, sem consultar o sindicato, instalou várias câmeras ao lado das máquinas e em outros locais onde os trabalhadores desempenham suas funções.

São aproximadamente cinquenta novas câmeras com as quais pessoal terceirizado de segurança monitora sistematicamente os trabalhadores”, explicou à La Rel Juan Sierra, secretário-geral do Sitranestlesc.

A empresa contratada para esse serviço é a multinacional espanhola Grupo Eulen, a mesma terceirizada que está subcontratando parte do pessoal de produção, fato recentemente denunciado pelo sindicato e pela UITA.

Na nota enviada à Nestlé, Sierra explica que a medida adotada atenta contra a privacidade e a intimidade dos trabalhadores, violando aspectos fundamentais das leis e dos acordos internos.

“Essa medida não foi consultada com ninguém, nem sequer com as autoridades do trabalho. Estão sendo violados artigos do código trabalhista e ordenanças que regem a matéria. Além disso, fere o respeito mútuo entre sindicato e empresa previsto no acordo coletivo”, afirmou Sierra.

Na carta enviada pelo Sitranestlesc, solicita-se a desinstalação das novas câmeras e insta-se a empresa a chegar a um acordo previamente com o sindicato perante qualquer medida que afete os interesses dos trabalhadores.

A transnacional suíça pediu um prazo enquanto seus advogados analisam as possíveis infrações às leis e ordenanças apontadas.

Os trabalhadores se sentem intimidados; além disso, não cessam as demissões de companheiros e companheiras, e isso não contribui para a confiança recíproca e o respeito mútuo”, concluiu Sierra.


Foto: Gerardo Iglesias