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Com Luis Pereira dos Santos
Conflito na MBRF de Ponta Grossa

“Uma proposta ridícula”

A transnacional da carne MBRF —resultado da fusão entre Marfrig e BRF— apresentou uma proposta de acordo coletivo que o Sindicato e os trabalhadores classificam como ridícula. A empresa se recusa a oferecer um aumento salarial real, limitando-se a um reajuste pela inflação e a um acréscimo insignificante no vale-alimentação.

Amalia Antúnez

22 | 1 | 2026

Luis Pereira dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Massas, Biscoitos, Carnes, Avícolas e Alimentação de Ponta Grossa e Região, informou que as bases estão mobilizadas e em conflito diante da intransigência empresarial.

“Estamos negociando desde outubro do ano passado e, até agora, a proposta é apenas a reposição da inflação. A empresa se nega a conceder um aumento real e oferece um reajuste ridículo no vale-alimentação”, denunciou.

Desde segunda-feira, dia 19, o Sindicato mantém ações de mobilização, com faixas e plantões na porta de fábrica. As medidas buscam pressionar a empresa a rever sua proposta e, ao mesmo tempo, informar a comunidade sobre o comportamento da companhia.

Santos, que também é trabalhador da própria empresa, afirmou que a MBRF se caracteriza pelo desprezo à classe trabalhadora e à organização sindical.

Três décadas recebendo o mínimo

“Não apenas oferece migalhas em termos salariais; também assedia e desvaloriza seus trabalhadores e trabalhadoras, e ainda mais aqueles que fazem parte do sindicato”.  O dirigente destacou que há empregados com 20 e até 30 anos de empresa que recebem apenas o salário mínimo.

“Em uma indústria que impõe condições extenuantes, não podemos permitir que continuem pagando salários miseráveis”, afirmou.

Entre as principais reivindicações está também a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e a melhoria do plano de saúde.

A NR 36 na linha de desossa

Trata-se de uma pauta central do movimento sindical brasileiro e especialmente urgente na indústria frigorífica, onde os ritmos intensos de produção, a exposição ao frio e os riscos químicos e biológicos tornam o trabalho altamente insalubre.

O Sindicato denuncia ainda que a MBRF descumpre sistematicamente a Norma Reguladora 36 (NR36), que estabelece pausas obrigatórias durante a jornada.

“A empresa sempre busca driblar a legislação sobre pausas, o que já provocou dezenas de casos de lesões por esforço repetitivo. Se somarmos a isso o pagamento de salários de miséria, a situação torna-se insustentável”, afirmou Santos.

Por fim, o dirigente convocou o fortalecimento da unidade sindical para enfrentar os atropelos da transnacional.

“No Paraná, todos os sindicatos que têm a MBRF em sua base deveriam se reunir e definir ações conjuntas para conquistar melhores condições de trabalho e salários”, concluiu.