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Lucros recordes, salários rebaixados e o velho desprezo por quem sustenta a produção

O cinismo da JBS

A JBS afirma em seu site oficial que coloca as pessoas no centro do seu modelo de negócios. Promete respeito, diálogo e responsabilidade social. No entanto, em seus frigoríficos, a experiência de seus próprios trabalhadores desmente esse discurso.

Amalia Antúnez

20 | 1 | 2026

Ali, as condições são impostas goela abaixo, os salários são comprimidos e a negociação é evitada. A distância entre o que a empresa prega e o que pratica não é um erro: é cinismo em estado puro.

Todos os dias, cerca de 2.000 suínos são abatidos na planta de Carambeí, no estado do Paraná, que emprega aproximadamente 970 trabalhadoras e trabalhadores. Ali, onde cada minuto conta e cada corpo faz parte de uma cadeia que não para, a maior processadora de carne do mundo volta a deixar claras quais são as suas prioridades.

Há anos, a transnacional brasileira não concede aumentos salariais reais ao seu quadro de pessoal e, recentemente, apresentou uma proposta de reajuste baseada unicamente na inflação.

Enquanto isso, a empresa continua registrando resultados recordes em nível global. Mas o problema não se limita a um percentual de reajuste.

Ontem, as trabalhadoras e os trabalhadores da SEARA/JBS de Carambeí decidiram entrar em greve.

Foto: SINTAC