20140113 sindicatos

    • Versión Español

Sat16052026

actualizado al04:35:02 PM GMT

Back sindicatos “Estamos cada vez mais precarizados”
“Estamos cada vez mais precarizados”
Em São Paulo,
Brasil
FRIGORÍFICOS
Com Jeferson Ary Souza 
Os centros de distribuição dos grandes frigoríficos
“Estamos cada vez mais precarizados”
jeferson-souza610
Foto: Gerardo Iglesias
Membro da Direção do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Campinas (SITAC) e operário de um centro de distribuição da JBS, Jeferson Ary Souza dialogou com A Rel sobre as condições de trabalho na indústria frigorífica; as consequências do sistema de fusões, impondo praticamente o monopólio do mercado do setor das carnes no Brasil e a precarização do trabalho no setor.
-Você trabalhou muito no setor das carnes.
-Trabalhei. Na antiga Perdigão, que atualmente é a BRF (BrasilFoods), e depois da sua fusão com a Sadia. 

Nesse processo, a empresa, pressionada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), se desfez de vários centros de distribuição (CD), entre os quais estava aquele onde eu trabalhava, que passou para as mãos de outra transnacional do setor das carnes, a Marfrig, que nessa mesma época adquiriu os frigoríficos avícolas da Seara Alimentos para mais adiante vendê-los para a JBS-Friboi.

-Em todo este processo, o que mudou nas condições de trabalho?
-Em todas as operações de compra e venda, essa foi a pior parte, já que as condições de trabalho se viram sensivelmente degradadas. 

No centro de distribuição, onde eu trabalhava, éramos aproximadamente 400 empregados e atualmente somos apenas 50.

A primeira coisa que fizeram, depois da fusão e da venda para a JBR, foi eliminar postos de trabalho, mas isso não supôs diminuir as tarefas realizadas em cada CD. Pelo contrário, estamos completamente sobrecarregados.

Nas épocas de safra, onde a produção aumenta, contratam trabalhadores terceirizados, mas são pessoas sem nenhum vínculo com a empresa, e sem interesse em reivindicar melhores condições. Certamente, ganham muito menos que os trabalhadores fixos.

Percebemos a precarização nas condições de trabalho, principalmente na degradação dos benefícios oferecidos, como por exemplo, o Plano de Saúde e a Alimentação.

A JBS deixou de oferecer, da noite para o dia, um plano de saúde gratuito aos seus trabalhadores. Agora, estamos lutando para recuperá-lo.

O mais revoltante disto tudo é que a empresa – que recebe vultosos benefícios dos bancos públicos, como o BNDES, e que obtém lucros líquidos de bilhões de dólares – tenha este tipo de atitude com os seus trabalhadores.

-E com relação ao salário?
-Os salários não são nada do outro mundo, manejam valores um pouco acima do que for negociado como salário base, e muitas vezes variam dependendo da região.

-Este setor se caracteriza pela alta rotatividade de pessoal. Acontece a mesma coisa nos centros de distribuição?
-Acontece. A rotatividade de pessoal é altíssima.

Os baixos salários, as más condições de trabalho, um ritmo de trabalho excessivo e a alta exigência deixam este setor muito pouco atrativo. Os trabalhadores buscam outros setores, pelo menos em nossa região.

Conheço casos onde o frigorífico da JBS é a única indústria do lugar e onde a população não tem outra opção que não seja trabalhar nessa empresa, mas em regiões como esta, onde há outro tipo de indústria, os trabalhadores locais evitam os frigoríficos.
 
Rel-UITA
7 de julho de 2015

Tradução: Luciana Gaffrée

Share |