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Brasil
EDITORIAL
Seguir em frente com serenidade e firmeza, apesar das incertezas
20160526 Alberto Ercílio Broch 610
Fotos: Gerardo Iglesias
Companheiros e companheiras, manifesto aqui o meu sentimento e impressões referente ao momento difícil e de grandes incertezas que toma conta das famílias da classe trabalhadora brasileira, decorrentes da profunda crise política e econômica no país.
Lembro aqui, de forma resumida e simples, alguns fatos que nos permitem melhor compreensão da conjuntura e ver comodeterminadas ações produziram este quadro dramático. Não sabemos quando terminará essa crise. Daí a incerteza e a insegurança que nos afeta. Porém, sabemos a origem e quando começou.

A oposição, inconformada com o resultado das eleições, ganhou guarida e foi turbinada pela ação da Operação “Lava Jato”, que minou a conjuntura política com prisões, delações premiadas e vazamentos seletivos de parte dos envolvidos, diga-se: membros do PT e aliados do governo, no gigantesco esquema de corrupção na Petrobras.  

A corrupção é endêmica, afeta a todos(as) e sofrem os mais pobres.  É preciso mais consciência e ética dos brasileiros(as) numa firme ação, cobrando dos órgãos de fiscalização, da Polícia e dos promotores dajustiça o combate permanente à corrupção, agindo de forma igual e imparcial com todos os envolvidos e condenados, conforme a lei e a Constituição Federal.

As   ações   e   fatos   produzidos   pela Operação “Lava Jato” e divulgados seletivamente pela grande imprensa, durante os últimos 15 meses, contribuíram em muitopara fortalecer a disputa da oposição contra o governo e polarizar as opiniões nasociedade, semeando a discórdia, o ódioe a intolerância entre os brasileiros(as), especialmente contra os movimentos sociais e cidadãos que se identificam ou apoiam o atual projeto de governo.  

O  intento  da  oposição  de  atingir  o  governo  prosperou  na  medida  em  que  esta Operação  ganhou  apoio  da  mídia  e  de setores  mais  conservadores  da  elite  dominante  que  tem  sede  de  destruir  ideias  e dirigentes dos partidos, organizações sindicais e movimentos sociais que defendem a democracia, a legitimidade do voto popular e  a  retomada  do  desenvolvimento centrado em uma agenda positiva que assegure os  direitos  sociais,  geração  de  emprego  e distribuição de renda para promover o bem estar desejado pelas famílias brasileiras.

Por   outro   lado, o segundo mandato do Governo Dilma não começou bem e se complicou com o desastroso ajuste fiscal, que não resolveu os problemas presentes, cujos indicadores macroeconômicos caíram e podem piorar, ainda mais, sepermanecer a incerteza e a insegurançadecorrente da atual crise política. Também não apresentou iniciativas para construirentendimentos com os governadores esetores produtivos visando a retomada docrescimento econômico com investimentos públicos e privados. Estes fatos e atos contribuíram para enfraquecer o governo e aumentar a impopularidade da presidente.

A oposição aproveitou esses erros e fortaleceu sua estratégia para destruir o governo e retomar o poder perdido há 13 anos.  Barrou todas as iniciativas no Congresso Nacional e, agora, impôs aabertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, aumentando a instabilidade política e econômica no País.  

Esse processo produziu a descrençanas instituições públicas, o desrespeito ao estado democrático de direito e ameaçaà jovem democracia brasileira.  O quadro é dramático e os brasileiros(as), cidadãosde bem, estão atônitos diante dos fatose não encontram alternativas concretase seguras para superar a crise política.
 
O momento exige de nós uma profunda reflexão a começar por estas perguntas:  o que é e quanto vale a nossa democracia? Dilma deve ser cassada?  Michel Temer ésaída para a crise política? Dilma e Temer devem ser destituídos por terem cometido a chamada “pedalada fiscal” prevista na Constituição?  Você quer Eduardo Cunha como presidente?  Quem poderá assumira Presidência da República com a capacidade de construir consensos entre ospoderes e a sociedade para sair da crise? Que modelo de governo e País desejamos construir para os nossos filhos?.

Contudo isso, a vida continua e nós devemos seguir em frente com serenidade e firmeza. Vamos fortalecer a nossaorganização e a luta cotidiana para conquistarmos dias melhores para a classetrabalhadora rural.

Faça a sua parte, reflita, participe desse debate e tome sua posição. Espero que seja a favor da democracia, da justiça social e contra a corrupção, enquanto premissas básicas para construirmos um País decente.

Alberto Ercílio Broch
Presidente da CONTAG

 

Rel-UITA
26 de maio de 2016
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