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Em todo o país, os auditores estão paralisados desde janeiro (em alguns locais a mobilização iniciou em agosto de 2015), reivindicando melhores salários, atualização de valores para reembolso de viagens e estadias, mas principalmente a contratação de mais profissionais.
“Em Piracicaba, por exemplo, temos 15 auditores fiscais para uma região de 22 cidades e cerca de um milhão de habitantes. O resultado é que a fiscalização demora muito para ocorrer, isto quando ocorre”, apontou o diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rodrigo Iquegami.
Em todo o país, contra uma demanda de 9 mil fiscais, há apenas 2,5 mil atuando, segundo ele.
A reivindicação faz parte da campanha salarial de 2015, que ainda não se encerrou. Em Piracicaba, a adesão é total à paralisação, com apenas 30% do limite legal de funcionários ainda atuando.
O Sinait, que além de fiscais também quer a contratação de funcionários do setor administrativo, pede uma equiparação salarial que varia de 33% a 55%, e a revisão do valor pago pelo Ministério do Trabalho quando o fiscal utiliza seu próprio veículo para realizar as fiscalizações.
“É o mesmo valor desde 1999, R$ 17 por dia. Isto não paga as despesas. E para se ter uma ideia, temos apenas dois carros na gerência de Piracicaba”, continua Iquegami.
O valor pago para estadias em hotéis, outro que carece de reajuste, está em R$ 170,00, segundo o fiscal. A situação, segundo o servidor, impede muitas fiscalizações.
De acordo com ele, o governo federal ofereceu, em dezembro, apenas uma proposta de reajuste salarial de 27,5%, divididos em 4 anos, o que foi recusado pela categoria.
“Sem o trabalho dos fiscais, a questão trabalhista como um todo é afetada. Por isto, pedimos que os sindicatos entrem na briga, realizando atos públicos nos municípios, e enviando representações ao Ministério do Trabalho”, apontou o auditor.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Alimentação de Limeira (Stial), Artur Bueno Júnior, que é diretor da USTL, lembrou de uma reunião que ocorre na próxima quarta-feira (2) na Superintendência do Ministério do Trabalho, em São Paulo, cuja pauta será exatamente a necessidade da instalação desta unidade local.
“Durante a reunião, vamos abordar a questão da greve dos auditores e os prejuízos que ela está causando à causa trabalhista”, argumentou Júnior, que articulou a vinda dos fiscais a Limeira.
“A falta de fiscalização não afeta apenas a questão da segurança e saúde do trabalhador. A negligência no pagamento de direitos, por exemplo, também fica bem mais fácil por parte das empresas.
Estamos unidos para tentar solucionar este problema, que parece não estar no rol de prioridades do governo federal”, finalizou o presidente da USTL, Benedito Honório Barbosa, que também é presidente do Sindicato dos Rodoviários de Limeira.
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