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Mineradora multinacional brasileira, a Vale S.A. é outra vez a responsável por mais uma tragédia humana e ambiental

Um novo Vale de lama no lodo da impunidade brasileira

O novo rompimento de outra represa da Vale do Rio Doce, nesta sexta-feira, 25 de janeiro, fez grande parte do município de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte (MG), ser engolido por um mar de lama. São mais de 300 desaparecidos, cujo número de mortos já chega a 58, cifra que só tende a aumentar.

No sábado 26, a notícia de terem sido localizados sobreviventes deu alguma esperança aos parentes e amigos dos desaparecidos. Entretanto, no domingo 27 um alarme de emergência foi acionado por risco de rompimento da barragem B6, obrigando a retirada das pessoas da área. 

Foram deslocadas 24 mil pessoas, a metade da população da região, sem a interrupção da busca por sobreviventes.

O rompimento da barragem da mineradora Vale S.A. em Brumadinho acontece três anos depois da enorme tragédia de Mariana, não só provocada por esta empresa, como também em Minas Gerais. 

Sendo considerado como a maior tragédia ambiental do Brasil, o desastre de Mariana deixou 19 mortos.

A responsável

A Vale S.A., surgida em 1942, é uma das maiores produtoras de ferro e de níquel do mundo, com operações em mais de 30 países e com grande presença em Minas Gerais. Porém, também é um gigante atolado até o pescoço em duas tragédias.

O rompimento da barragem de Brumadinho colocou em foco não só a empresa, como também a flexibilização da legislação ambiental no Brasil.

A Vale S.A. é proprietária desta e de outras unidades de resíduos minerais em Minas Gerais, tendo em seu histórico um grande saldo de vítimas e de danos ambientais.

Em 1997, a empresa foi privatizada pelo ex-presidente Henrique Cardoso.

Na atualidade, a Vale é a maior produtora de minério de ferro e pelotas do mundo, com presença operativa nos 16 estados do Brasil, bem como no Canadá, na Austrália, na China e em Moçambique.

Não obstante, o governo brasileiro ainda controla parte de suas ações, tendo direito ao voto na direção da empresa.

Além disso, a Vale também soube garantir e aumentar seus lucros (com participação japonesa), produzindo fosfato, metais não ferrosos e até mesmo óleo de dendê.

Se é verdade que o homem nasceu do barro, a Vale nasceu do mais puro esterco.


Fotos: UOL