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“Se não nos defendermos nós mesmos, ninguém o fará”

O secretário geral da Federação dos Trabalhadores do Tabaco da República Argentina conversou com A Rel sobre a conjuntura de seu país, os desafios impostos ao movimento sindical e as crescentes dificuldades enfrentadas pelo setor tabacaleiro.

-Como você avalia a situação vivida pelo seu país?
-É realmente preocupante. Pensávamos que, em determinado momento, havíamos iniciado um diálogo com o governo, mas não foi assim.

Alguns dirigentes sindicais estão sendo perseguidos e, devido a isto, todos são colocados no mesmo saco. Não é atribuição do governo e sim da justiça se ocupar de quem infringiu a lei.

Por outro lado, a inflação continua crescendo e em nosso setor a incorporação de nova tecnologia está destruindo postos de trabalho. Só no segundo semestre de 2017, oitocentos trabalhadores tabacaleiros perderam seu emprego.

A região localizada ao norte e noroeste do país é a mais castigada pelas demissões, principalmente no setor de estocagem. Essas pessoas ficaram sem nada e este é um problema preocupante para todos os argentinos e não apenas para o movimento sindical.

Nós, da Federação, estamos tentando manter os postos de trabalho, mas esta é uma situação muito complicada, porque a tecnologia avança. Contra isto é muito difícil lutar.

-O governo insiste em fazer a reforma trabalhista, dando as costas para os sindicatos.
-O diálogo com o governo não anda muito bem. Este insiste em querer reformar a lei trabalhista, mas não se pode pretender mexer num sistema que está instaurado há décadas.

Há que se respeitar a jornada de trabalho de 8 horas, uma das grandes conquistas do movimento operário, e o sistema de negociação existente na Argentina.

O governo se esquece de que, para se chegar a um consenso, é preciso primeiro haver um diálogo.

-Quando este governo assumiu gerou expectativas positivas…
-Mas, infelizmente, o que está acontecendo é que a inflação continua disparando, o dólar subindo, isto é, tudo fica mais caro, seja o combustível, sejam os impostos, sejam os serviços essenciais.

Como um aposentado, que ganha de 7 a 9 mil pesos argentinos (de R$1.120 a R$1.280, aproximadamente) pode arcar com os seus gastos se não tiver uma família que o ajude? E em vez de suas aposentadorias serem aumentadas, são reduzidas?

A indústria nacional também está em crise: fecharam indústrias têxteis, do tabaco, engenhos de açúcar, fábricas de calçados…

Já é hora de o movimento operário se unir para defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, aposentados e ativos, porque se não nos defendermos nós mesmos, ninguém o fará. E a História nos julgará em função de como enfrentarmos esta situação.