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Quando a impunidade Vale

Com uma nova tragédia em curso, provocada pelo colapso da barragem da mineradora multinacional brasileira Vale SA, em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, o Brasil retorna às manchetes internacionais devido a mais uma destruição causada por dejetos tóxicos.

A catástrofe, de grandes proporções humanas e ambientais, deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos, destruindo até agora o equivalente a 125 campos de futebol.

“Em 2015 tivemos o maior acidente ambiental da história da mineração, destruindo completamente o Rio Doce, mantando pessoas e atingindo o oceano”.

Nenhuma multa foi paga. Ninguém foi preso”, disse ao portal DW Brasil o cientista Antônio Nobre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Três anos após o rompimento da barragem de Mariana, a Samarco, da qual a Vale SA é uma de suas acionistas, não pagou o total das multas ambientais impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

O valor das multas supera os 350,7 milhões de reais, o equivalente a mais de 96 milhões de dólares. O processo, envolvendo executivos da Samarco, Vale e BHP Billiton, ainda não tem data prevista para o seu julgamento.

No caso da barragem de Brumadinho, foram presos dois engenheiros terceirizados e três trabalhadores da empresa Vale SA.

A natureza desmascara

Pouco antes da tragédia em Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro, em sua primeira aparição internacional, disse no Fórum Econômico Mundial em Davos: “O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente”.

“Inclusive após uma tragédia como esta de Brumadinho, as pessoas ainda veem o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, discutindo a flexibilização do licenciamento ambiental e a facilitação do acesso às licenças”, criticou Carlos Rittl, integrante do Observatório.

De cerca de 3 bilhões de reais (mais de 800 milhões de dólares) em multas anuais estipuladas pelo Ibama por crimes ambientais, apenas 5 por cento do valor é pago.

A multa de 10 mil reais (2.740 dólares) imposta ao Bolsonaro em 2012 por pesca ilegal na área protegida foi anulada após as eleições presidenciais.

O Observatório do Clima acumula aproximadamente 100 mil processos por infração.

Para Antônio Nobre, a preocupação ambiental de um país se mostra também no rigor com que os causantes da destruição são punidos.

“Se em Mariana o presidente da Samarco tivesse sido preso e a empresa pagado as multas correspondentes, a coisa teria sido diferente”, avaliou.

“Em lugar de assumir uma responsabilidade ambiental, parece que para as empresas é mais barato corromper o sistema. E quem assume o custo da tragédia é a sociedade brasileira: com as mortes, a destruição permanente dos rios, e suas perdas incalculáveis”, concluiu.


Com informação do portal DW Brasil