Peru | Sociedade | MOBILIZAÇÃO POPULAR

Com María Tafur
O povo se mobiliza contra a Lei 345/2018

“Podemos ficar pior que o Brasil”

Centrais sindicais, confederações, federações, sindicatos, movimento estudantil, organizações de direitos humanos, feminista e sociedade civil ocuparam as ruas em 15 de janeiro contra a Lei 345/2018.

“Os casos de corrupção recentemente revelados foram o disparador das mobilizações populares, entretanto os trabalhadores querem mais. Ir às ruas forma parte de uma série de medidas da CGTP articuladas à greve geral, já prevista para proximamente”, informou para A Rel, María Tafur, secretária geral adjunta da Federação Nacional de Trabalhadores do Setor Alimentos, Bebidas e Afins (FNT CGTP-ABA), e membro do Comitê Executivo Latino-Americano da UITA.

Esta plataforma de luta busca denunciar os efeitos nocivos do Projeto de Lei 345/2018 de produtividade e de competitividade, visando por este meio e em conivência com a classe empresarial, a liquidar os sindicatos.

“Entre outras medidas, esta lei dará carta aberta aos empresários para demitirem coletivamente sem nenhum tipo de indenização para os trabalhadores e as trabalhadoras”, disse Tafur.

A dirigente informou que o projeto de lei também pretende eliminar a licença anual e a Compensação por Tempo de Serviço (CTS).

“Começaram com pequenas medidas, permitindo que as empresas que estivessem mais de três meses em vermelho pudessem demitir coletivamente sem pagar as devidas indenizações aos trabalhadores. Agora aparecem com esta lei cujo objetivo principal é acabar com os sindicatos. Se continuarmos assim, vamos ficar pior que o Brasil em termos de direitos trabalhistas”, analisou a sindicalista.

Para Tafur o Projeto de Lei 345/2018, que possivelmente será aprovado como Decreto Supremo, conta com 60 páginas de difícil leitura e compreensão para o trabalhador ou a trabalhadora comum, exigindo da Federação a tarefa de explicar para as suas bases os perigos para os direitos trabalhistas contidos neste texto se for aplicado como está.

“Estamos oferecendo cursos informativos para todos os nossos filiados/as e trabalhando em conjunto com outros movimentos sociais, para divulgar o conteúdo real desta lei e explicar suas consequências, caso aprovado, principalmente no que tange ao recorte de direitos”, explicou.

Na terça-feira, 15 de janeiro, as centrais operárias, os sindicatos, as federações e os mais variados movimentos sociais se concentraram na Praça 2 de Maio, a partir das 16 horas e marcharam até o Tribunal Constitucional.

Queremos revogar esta lei e por esta razão vamos ocupar as ruas”, finalizou.