Histórica e endêmica, violência sem fim

A propriedade da terra, a dura tensão entre latifundiários e trabalhadores, comunidades indígenas e trabalhadores sem-terra, assim como o papel do Estado, quase sempre do lado do capital, são as razões que levam à violência que mata, queima e expulsa a milhares de famílias do campo no Brasil.

Balas, fogo e governos: as armas do latifúndio

Como é infelizmente comum no Brasil, as terras públicas que antes eram destinadas à reforma agrária são objeto de enormes disputas, e sempre ou quase sempre aqueles que têm dinheiro e poder usam de várias artimanhas para usurpá-las, como forjar falsos títulos de propriedade, ameaçar de morte a líderes e dirigentes comunitários e sindicalistas.

A pandemia agrava a violência contra defensores e defensoras dos bens comuns

“A situação dos defensores da floresta, das águas e dos direitos humanos se complicou com a pandemia, da mesma forma que a situação dos povos originários que estão completamente vulneráveis neste momento”, disse para a Rel, a ativista ambiental e defensora dos bens comuns Claudelice Santos, uma mulher que vive de perto a violência no campo brasileiro.

Os limites da terra nas fronteiras da vida

Em Brasília, nos dias 5 e 6 de março, o Seminário de Direitos Humanos e Segurança na Ação Sindical ocorreu na sede da Contag. O encontro, organizado com o apoio da Rel UITA, da Contag e da Contar, discutiu uma agenda de ação conjunta no combate a uma nova escalada da velha e conhecida violência no campo.

“A Violência no campo brasileiro é histórica”

“Precisamos criar uma rede de organizações, nos reorganizarmos, nos reagruparmos para enfrentar essa intensificação da violência», disse Carmen Foro, secretária-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ex-dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), na abertura do seminário “Direitos humanos e segurança na ação sindical”, realizado nos dias 5 e 6 de março em Brasília.