O irresistível retorno dos militares

“Bolsonaro não governa mais e o Brasil vive desobediência civil», escreveu o colunista Merval Pereira na edição de 26 de março do jornal O Globo. Não é qualquer jornalista ou qualquer meio. Pertencente à rede Globo, O Globo é o jornal mais circulado do Brasil e Merval Pereira é um dos jornalistas mais próximos da família Marinho, dona da rede de comunicação.

Armas contra os povos

Por que um exército quer 100 mil bombas lacrimogêneas, setenta mil balas de borracha, mil escopetas para disparar essas balas, e mil e duzentas máscaras de gás? Além dessas compras, o Exército equatoriano planeja adquirir 3.000 escudos e 3.753 uniformes anti-motim conhecidos como «robocops».

A guerra contra os setores populares

A violência do Estado contra a população negra e pobre no Brasil segue um padrão, nem casual nem conjuntural, mas permanente e sistêmico. Porém, agora o governo de Jair Bolsonaro não só milita abertamente a favor dos militares, como também defende a ditadura e nega as torturas e crimes praticados durante o regime autoritário militar.

Genocídio silencioso

A situação é tão grave que o governo de Iván Duque convocou a Comissão Nacional de Garantias, criada durante os diálogos de paz em Havana, para se reunir em 30 de janeiro e coordenar “com a sociedade civil e plataformas de direitos humanos iniciativas para proteger a vida e a integridade dos líderes sociais em todo o território nacional”, de acordo com o escritório do Alto Comissário para a Paz da Colômbia.

Um governo de militares, gendarmes da desigualdade

Cem militares ocupam os escalões mais altos do governo de Jair Bolsonaro, incluídas a presidência e vice-presidência, além de cargos em ministérios chave e em empresas estatais, permitindo-lhes ter um controle estratégico do país. Número bem superior ao dos militares que ocuparam cargos altos durante a ditadura militar, de 1964 a 1985.

“O movimento sindical tem que ser reformulado”

As direitas mais autoritárias estão chegando ao poder em quase todo o mundo, sem sequer precisarem recorrer a golpes de estado ou a intervenções militares, como se fazia em décadas atrás. Agora, chegam pelo voto popular. Um novo contexto, exigindo dos movimentos sindicais e das esquerdas a habilidade de pensar formas diferentes de agir e de gerar estratégias.