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2019 e suas lições

O ano de 2019 terminou com a sensação de vitalidade do movimento sindical. Foram vitórias pontuais, mas vitórias concretas, no contexto de uma dura batalha contra o conluio Governo-Patronal. Momentos onde o trabalhador parece ter acordado para a dura realidade que nos cerca. Momentos que reforçaram a ideia de sobrevivência da representação classista.

No segundo ano da Reforma Trabalhista implantada pelo governo Temer, as negociações salariais e de condições de trabalho foram muito mais difíceis. Mas ajudaram a acordar o trabalhador. Mesmo aquele menos atento consegue ver ruir o discurso de «geração de empregos», e enxergar a intenção da destruição dos direitos, presente na Reforma.

Ali, o objetivo nunca foi o criar postos de trabalho e dar liberdade ao empregado, mas enfraquecer as organizações representativas da classe trabalhadora.

Golpeados de forma abrupta, as entidades sindicais foram obrigadas a se reestruturar em meio ao caos. Na surdina, o governo Bolsonaro, em sua continuidade de ataque aos direitos dos trabalhadores, lançou o chamado Emprego Verde e Amarelo, protótipo do contrato de trabalho isento de qualquer proteção trabalhista, mesmo a mais simples.

Uma relação de compra de mão de obra desumana e antidemocrática, semente da desintegração social e da miséria.

Em outra frente, aliado ao setor financista do Capital nacional e internacional, o atual governo aprovou a Reforma da Previdência. Nem o mais alucinado liberal poderia prever tal desmonte do sistema de proteção social em tão pouco tempo.

Nossos trabalhadores e aposentados foram condenados a uma velhice de mendicância, quadro sobre o qual exemplos próximos não faltaram.

E foi o radicalismo destes golpes, que começou a provocar na classe trabalhadora a reflexão devida.

Mesmo os mais fanáticos seguidores de um ridículo «mito» eleitoral, alegoria recorrente do Salvador da Pátria, já começam a se perguntar onde vai parar tudo isto. Nas assembleias realizadas nas portas de fábrica, a resposta da
categoria começa a ficar diferente.

Pode ser o início da virada, momento em que o trabalhador vai finalmente se levantar. Uma virada plena, sem dirigismo político de esquerda ou direita, sem populismo ou subterfúgios baratos para enganar o trabalhador.

Uma nova relação, intensa e próxima, que pode estabelecer o movimento sindical como um vetor político e social autônomo. Como nunca sonhou em ser de fato.

Mas é preciso que o movimento sindical faça uma autocrítica. É preciso dialogar com os diferentes setores da sociedade, trazer para junto de si os jovens, a comunidade LGBT, as mulheres, os negros, o trabalhador desempregado e os milhões de que hoje atuam na informalidade.

Os primeiros passos estão sendo dados. Como nos fazem lembrar as teorias, o Capital alimenta o seu próprio fim, quando avança e permite os excessos desumanos. Em discursos moribundos, os empresários apresentam a evolução
tecnológica como senha para a destruição da organização trabalhista.

Esquecem que por trás de tudo, sempre estará o ser humano. Que possamos aprender com o ano de 2019 para que em 2020, independente da posição partidária e ideológica de cada um, possamos construir uma sociedade melhor para todos.

Feliz Natal e Bom Ano Novo.